{"id":117833,"date":"2022-03-10T11:14:00","date_gmt":"2022-03-10T10:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.claret.org\/para-uma-cultura-do-cuidado-protecao-de-menores-e-prevencao-do-abuso-sexual-em-nossas-plataformas-apostolicas-e-servicos-pastorais\/"},"modified":"2022-04-05T12:34:33","modified_gmt":"2022-04-05T10:34:33","slug":"para-uma-cultura-do-cuidado-protecao-de-menores-e-prevencao-do-abuso-sexual-em-nossas-plataformas-apostolicas-e-servicos-pastorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/para-uma-cultura-do-cuidado-protecao-de-menores-e-prevencao-do-abuso-sexual-em-nossas-plataformas-apostolicas-e-servicos-pastorais\/","title":{"rendered":"PARA UMA CULTURA DO CUIDADO: PROTE\u00c7\u00c3O DE MENORES E PREVEN\u00c7\u00c3O DO ABUSO SEXUAL EM NOSSAS PLATAFORMAS APOST\u00d3LICAS E SERVI\u00c7OS PASTORAIS"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Jos\u00e9-F\u00e9lix Valderr\u00e1bano CMF <a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n<p class=\"has-drop-cap\">O abuso sexual de menores vai contra o respeito \u00e0 dignidade e aos direitos das crian\u00e7as, que s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis porque n\u00e3o t\u00eam possibilidade de se defender das agress\u00f5es que podem sofrer e por causa das graves conseq\u00fc\u00eancias para suas vidas. <\/p>\n\n<p>Desde que os crimes de abuso sexual, cometidos por padres ou religiosos, t\u00eam aparecido na imprensa, a quest\u00e3o tem sido muito atual, tanto na sociedade quanto na Igreja. <\/p>\n\n<p>A sociedade tomou consci\u00eancia do problema e os Estados adotaram medidas e penas para aqueles que cometem tais crimes.<\/p>\n\n<p>Para a Igreja, o abuso sexual tem uma relev\u00e2ncia maior porque vai contra os princ\u00edpios evang\u00e9licos que ela prega e pelos quais deve ser governada: a dignidade de qualquer pessoa \u00e9 baseada em ser filho de Deus e imagem de Cristo. O pr\u00f3prio Jesus nos Evangelhos d\u00e1 especial destaque \u00e0s crian\u00e7as, em contraste com a marginaliza\u00e7\u00e3o a que eram submetidas na sociedade daquela \u00e9poca (Mc 10,14); ele as coloca como um modelo de espiritualidade crist\u00e3 (Mt 18,3), e adverte aqueles que ousam escandaliz\u00e1-las (Mt 18,6). <\/p>\n\n<p>Os papas Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI, e sobretudo Francisco, reconheceram o fato de abusos cometidos por cl\u00e9rigos ou religiosos ou por pessoas ligadas a suas obras, pediram perd\u00e3o pelos danos causados \u00e0s v\u00edtimas e tomaram medidas para prevenir estes crimes e n\u00e3o deix\u00e1-los impunes. A Igreja reconheceu que a pol\u00edtica de encobrimento para salvar o prest\u00edgio da institui\u00e7\u00e3o, a transfer\u00eancia dos cl\u00e9rigos abusivos ou, no melhor dos casos, a mera imposi\u00e7\u00e3o de penalidades can\u00f4nicas, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 insuficiente, como, ao contr\u00e1rio, prolonga e agrava o problema, al\u00e9m de afetar sua credibilidade e, em alguns casos, levar ao abandono da Igreja e da pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n\n<p>Muitas dioceses e Congrega\u00e7\u00f5es, seguindo as indica\u00e7\u00f5es dos Papas e as normas promulgadas pela Santa S\u00e9, t\u00eam elaborado seus protocolos de a\u00e7\u00e3o em casos de crimes de abuso sexual. Os Mission\u00e1rios Claretianos tiveram um primeiro protocolo no ano de 1999, como consequ\u00eancia da decis\u00e3o tomada pelo Governo Geral e os Superiores Provinciais de toda a Congrega\u00e7\u00e3o no ano anterior em Bangalore. Abordou apenas as quest\u00f5es que preocupavam na \u00e9poca e forneceu solu\u00e7\u00f5es para esses problemas. Com o tempo, \u00e0 medida que as coisas se tornaram mais claras e que a Igreja ofereceu novas normas e orienta\u00e7\u00f5es, a aten\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o se concentraram nos processos para lidar com a descoberta ou alega\u00e7\u00e3o de abuso sexual por um de seus membros.<\/p>\n\n<p>Hoje vemos que o foco na den\u00fancia de abusos, embora importante, \u00e9 insuficiente para o prop\u00f3sito de proteger menores e prevenir crimes de abuso. \u00c9 melhor prevenir do que remediar. Em 2019 a Congrega\u00e7\u00e3o publicou o &#8220;Manual para a Prote\u00e7\u00e3o de Menores e Adultos Vulner\u00e1veis&#8221; junto com o &#8220;Protocolo para a Preven\u00e7\u00e3o e Interven\u00e7\u00e3o em Caso de Abuso Sexual&#8221;.<\/p>\n\n<p>A Congrega\u00e7\u00e3o levou esta quest\u00e3o muito a s\u00e9rio porque, como diz o Padre Geral na apresenta\u00e7\u00e3o do Vade-m\u00e9cum Congregacional elaborado para este fim, &#8220;o cuidado das pessoas e da natureza s\u00e3o parte integrante de nossa vida e miss\u00e3o&#8221;. O \u00faltimo Cap\u00edtulo Geral tamb\u00e9m insistiu neste ponto: &#8220;Criaremos ambientes seguros para que crian\u00e7as, adolescentes e jovens cres\u00e7am em liberdade e responsabilidade&#8221; (QC 69).<\/p>\n\n<p>O que pode ser feito para proteger os menores e prevenir crimes de abuso? Uma s\u00e9rie de medidas importantes pode ser identificada:<\/p>\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>1. Antes de tudo, deve-se notar que a prote\u00e7\u00e3o dos menores e a preven\u00e7\u00e3o de abusos n\u00e3o se limita \u00e0s escolas ou par\u00f3quias; afeta tamb\u00e9m a catequese, grupos ou clubes de jovens, acampamentos de ver\u00e3o ou outros, e at\u00e9 mesmo aqueles que est\u00e3o no confession\u00e1rio ou est\u00e3o engajados na dire\u00e7\u00e3o espiritual ou no acompanhamento pessoal dos jovens.<\/li><\/ol>\n<p>\u00c9 responsabilidade dos superiores, p\u00e1rocos, diretores de escolas e atividades pastorais compartilhar a preocupa\u00e7\u00e3o pela prote\u00e7\u00e3o dos menores e encorajar todos os envolvidos em plataformas de pastoral infantil e juvenil a assumir o compromisso de criar um ambiente seguro para os menores e proteg\u00ea-los de abusos.<\/p>\n\n<p>O envolvimento de todos os agentes pastorais \u00e9 essencial. Devemos estar conscientes de que a prote\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita no papel, nem \u00e9 responsabilidade dos superiores ou respons\u00e1veis pelas atividades pastorais: \u00e9 uma tarefa da sociedade e, no nosso caso, dos claretianos, dos volunt\u00e1rios, dos colaboradores e das pessoas contratadas. <\/p>\n\n<p>Os agentes pastorais nem sempre est\u00e3o cientes da gravidade dos abusos, n\u00e3o conhecem as leis civis ou as normas da Igreja e da Congrega\u00e7\u00e3o. Todos devem estar conscientes da import\u00e2ncia de proteger os menores e da gravidade dos abusos, refletir juntos sobre como proteger crian\u00e7as e adolescentes, que diretrizes de comportamento precisam ser estabelecidas para isso, e estar dispostos a assumir responsabilidades. Quando as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o buscadas em conjunto, \u00e9 mais f\u00e1cil assumi-las do que se elas forem dadas &#8220;de cima&#8221; como algo imposto. Este \u00e9 o primeiro passo para a efic\u00e1cia. <\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>2. Em segundo lugar, criar um ambiente seguro para as crian\u00e7as. Isto significa ir contra a ess\u00eancia de uma sociedade que, embora repudie e escandalize absolutamente o abuso sexual de menores, n\u00e3o tem obje\u00e7\u00e3o de usar \u2013 de fato, abusar \u2013 de mulheres como objetos sexuais para fins publicit\u00e1rios, ou \u00e9 absolutamente permissiva nas manifesta\u00e7\u00f5es, avalia\u00e7\u00f5es e comportamentos sexistas na vida social. <\/li><\/ul>\n<p>Promover um ambiente seguro para os menores significa reconhecer sua dignidade como pessoas e como filhos de Deus, tratando-os com respeito, evitando coment\u00e1rios ou zombarias que possam ridiculariz\u00e1-los e humilh\u00e1-los. <\/p>\n\n<p>Criar um ambiente seguro para as crian\u00e7as significa n\u00e3o tolerar poss\u00edveis abusos ou comportamentos abusivos e n\u00e3o ter medo de denunci\u00e1-los. Ningu\u00e9m quer ser nem &#8220;bufo&#8221;, nem delator, porque \u00e9 entendido como deslealdade para com amigos ou colegas, mas n\u00e3o podemos deixar passar o que \u00e9 um pecado grave e um crime, nem olhar para o outro lado, porque o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a vida das crian\u00e7as ou adolescentes que nos foram confiados.<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>3.   Acompanhar as fam\u00edlias, contribuir para sua forma\u00e7\u00e3o, oferecer-lhes ferramentas para que possam educar seus filhos corretamente, envolv\u00ea-los em atividades pastorais, educacionais ou recreativas e assumir a co-responsabilidade pela educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as tamb\u00e9m nessas \u00e1reas. \u00c9 na fam\u00edlia que as crian\u00e7as vivem, desenvolvem e aprendem os valores humanos e os princ\u00edpios do Evangelho. Ela deve proporcionar \u00e0s crian\u00e7as um ambiente acolhedor, cordial, amoroso e carinhoso no qual elas se sintam amadas e seguras. <\/li><\/ul>\n<p>Infelizmente, este nem sempre \u00e9 o caso. Sem chegar ao ponto de pensar em fam\u00edlias desfeitas, h\u00e1 fam\u00edlias que t\u00eam que trabalhar tanto que n\u00e3o podem cuidar adequadamente de seus filhos. Os pais nem sempre t\u00eam uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 adequada; ou negligenciam a educa\u00e7\u00e3o sexual de seus filhos ou s\u00e3o muito permissivos na avalia\u00e7\u00e3o de certos comportamentos sexuais. <\/p>\n\n<p>Sobre o tema do abuso, \u00e9 importante que os pais, adaptando-se \u00e0 idade dos filhos, expliquem a eles o que \u00e9 a sexualidade (tamb\u00e9m do ponto de vista crist\u00e3o), ajudem-nos a distinguir o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado, como se comportar com pessoas estranhas ou mesmo pr\u00f3ximas \u00e0 fam\u00edlia (professores, padres, monitores, etc.). Eles devem conversar com eles, incutir neles confian\u00e7a para que possam comentar livremente o que fazem na escola ou nas atividades em que participam e falar sobre suas rela\u00e7\u00f5es com colegas de classe e adultos. Os pais, por sua vez, precisam ser informados sobre o que \u00e9 abuso, como evit\u00e1-lo, quais s\u00e3o os sintomas de ter sido abusado e os fatores de risco em que as crian\u00e7as podem se encontrar.<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>4. Cada institui\u00e7\u00e3o educacional, cada par\u00f3quia e cada atividade com menores deve ter seu pr\u00f3prio protocolo de a\u00e7\u00e3o e um c\u00f3digo de conduta que inclua boas pr\u00e1ticas no relacionamento com menores. N\u00e3o basta seguir um protocolo geral da Congrega\u00e7\u00e3o ou da Confer\u00eancia Episcopal: eles devem certamente refletir a legisla\u00e7\u00e3o civil e a da Igreja local, mas tamb\u00e9m indicar comportamentos ou gestos que nessa cultura particular ou nessa \u00e1rea n\u00e3o t\u00eam um significado particular, mas que em outras podem ser interpretados ou valorizados negativamente e criar um esc\u00e2ndalo. Esse material \u00e9 muito \u00fatil para que todos saibam como se comportar.<\/li><li>E finalmente, se quisermos oferecer seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o aos menores, \u00e9 fundamental que em nossas plataformas e atividades apost\u00f3licas, as pessoas envolvidas (religiosas e leigas) sejam pessoas maduras, equilibradas, sem problemas afetivos ou sexuais. Mas eles tamb\u00e9m devem ter uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para lidar com menores e um conhecimento b\u00e1sico do problema do abuso sexual. Todos eles devem assinar uma declara\u00e7\u00e3o escrita na qual afirmam estar cientes dos protocolos de conduta da estrutura ou plataforma em que trabalham e que se comprometem a cumpri-los.<\/li><\/ul>\n<p>Roma, It\u00e1lia.<\/p>\n\n<p>11 de fevereiro de 2022.<\/p>\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.claret.org\/wp-admin\/post.php?post=117406&amp;action=edit#_ftnref1\">[1]<\/a> O Padre Jos\u00e9-F\u00e9lix Valderr\u00e1bano \u00e9 o Procurador da Congrega\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Santa S\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9-F\u00e9lix Valderr\u00e1bano CMF [1] O abuso sexual de menores vai contra o respeito \u00e0 dignidade e aos direitos das crian\u00e7as, que s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis porque n\u00e3o t\u00eam possibilidade de se defender das agress\u00f5es que podem sofrer e por causa das graves conseq\u00fc\u00eancias para suas vidas. 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