{"id":122881,"date":"2022-05-23T08:58:29","date_gmt":"2022-05-23T06:58:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.claret.org\/recordando-o-reverendissimo-padre-martin-alsina-cmf-no-centenario-da-sua-morte-2-de-marco-de-1922\/"},"modified":"2022-05-23T15:21:26","modified_gmt":"2022-05-23T13:21:26","slug":"recordando-o-reverendissimo-padre-martin-alsina-cmf-no-centenario-da-sua-morte-2-de-marco-de-1922","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/recordando-o-reverendissimo-padre-martin-alsina-cmf-no-centenario-da-sua-morte-2-de-marco-de-1922\/","title":{"rendered":"Recordando o Reverend\u00edssimo Padre MART\u00cdN ALSINA, CMF, no Centen\u00e1rio da sua morte (2 de mar\u00e7o de 1922)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Ao recordar o Rev.mo Pe. Mart\u00edn Alsina, 100 anos ap\u00f3s a sua morte, n\u00e3o se trata de recordar os marcos da sua hist\u00f3ria pessoal e o seu incans\u00e1vel trabalho como Geral da Congrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 bastante conhecido. Mas pode ser a hora de relembrar o \u00faltimo ano de vida de um homem daqueles que morrem com as m\u00e3os no arado. E falamos de um ano porque um m\u00eas antes de sua morte ele tinha acabado de chegar de uma viagem incr\u00edvel, longa, dif\u00edcil e at\u00e9 perigosa; uma viagem de mais de um ano pela Am\u00e9rica, come\u00e7ando na Bahia (Brasil) em 1\u00ba de dezembro de 1920 e terminando em 24 de janeiro de 1922 no estu\u00e1rio de Vigo (Espanha). Ele foi acompanhado nesta viagem pelo Pe. F\u00e9lix Alejandro Cepeda, seu secret\u00e1rio, a quem devemos uma cr\u00f4nica detalhada, que poderia passar por um verdadeiro testamento. O objetivo fundamental dessa viagem era presidir os diferentes Cap\u00edtulos, preparar a reorganiza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos pr\u00f3prios Organismos, que cresciam constantemente, e criar os primeiros postulantados na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"122830\" data-permalink=\"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/recordando-o-reverendissimo-padre-martin-alsina-cmf-no-centenario-da-sua-morte-2-de-marco-de-1922\/14-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/14-scaled.jpg?fit=1457%2C2560&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1457,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"14\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/14-scaled.jpg?fit=583%2C1024&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/14.jpg?resize=439%2C771&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-122830\" width=\"439\" height=\"771\" title=\"\"><\/figure><\/div>\n\n<p>O itiner\u00e1rio tinha sido mais ou menos este: sa\u00edda de Vigo, Espanha, (12 de novembro de 1920), Brasil (dezembro de 1920-janeiro de 1921), Argentina via Montevid\u00e9u (fevereiro-mar\u00e7o de 1921), Chile (abril-maio de 1921), Bol\u00edvia (junho de 1921), Peru (julho de 1921), Col\u00f4mbia (por Guayaquil e Col\u00f3n, Panam\u00e1, agosto de 1921), Estados Unidos (por Col\u00f3n, Panam\u00e1, setembro-novembro de 1921), M\u00e9xico (dezembro de 1921) e Cuba (janeiro de 1922). Chegada a Vigo a 27 de janeiro de 1922.<\/p>\n\n<p>Quem ler a Cr\u00f4nica desta \u00faltima viagem, escrita pelo Pe. Cepeda nos Annales 1921-1922, poder\u00e1 conhecer a coragem de um homem que deu a vida por seus irm\u00e3os, como dizem as Constitui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 o fim. Atrav\u00e9s dela presenciamos longas e extenuantes viagens por terra, por rios e por mar, dos quais nos chegaram detalhes surpreendentes que explicam a sua dedica\u00e7\u00e3o abnegada. Vemos o Pe. Mart\u00edn Alsina enfrentando onze horas de trem do Rio de Janeiro a S\u00e3o Paulo; no caminho de Pouso Alegre para S\u00e3o Paulo, dormindo em uma pequena cidade por causa de um deslizamento de terra; sofrendo em Santos uma greve dos portu\u00e1rios que impedia a sa\u00edda dos vapores para viajar por mar para o sul; pernoitar na viagem de Curitiba a Porto Alegre devido ao descarrilamento do trem que deveriam tomar e no qual morreram 6 passageiros; viajar de trem por 17 longas horas de Tucum\u00e1n a Catamarca por n\u00e3o poder faz\u00ea-lo de carro \u2014seria 6 horas\u2014 devido \u00e0s chuvas abundantes; cruzando os Andes com o trem internacional de Mendoza; embarcar em uma rota para Santiago que levaria 23 horas devido a uma nevasca, com 5 metros de espessura nos trilhos; subir na Bol\u00edvia a 3700 metros em um trem que n\u00e3o podia ser usado por cardiopatas; navegando pelo Lago Titicaca a uma altitude de 3.812 metros; subindo novamente de trem de Puno a Arequipa a 4500 metros; aguentando um mar agitado de Mollendo a Callao, a ponto de ter que embarcar numa cadeira \u2014amarrada com cordas fortes aos guindastes de carga\u2014 que finalmente derrubou os passageiros no fundo do barco que os levaria ao vapor, no meio de uma tempestade com grandes ondas que lavaram completamente o Pe. Geral; desistindo de seu desejo de chegar a Trujillo devido a uma epidemia de febre amarela; cruzando o Canal do Panam\u00e1 para viajar por 6 dias intermin\u00e1veis \u200b\u200bpelo baixo Magdalena por correio a vapor a caminho de Girardot, onde foram salvos de cair de um penhasco de 10 metros devido a uma falha nos freios do carro. Tudo isso para finalmente enfrentar o que seria a parte mais favor\u00e1vel da viagem: os 6 dias de Cartagena a Nova Orleans em um vapor americano, passando 10 horas pela foz do Mississippi, um lindo fluxo, embora atormentado por crocodilos. E de San Antonio ao M\u00e9xico, aguentando o calor de 42 graus na regi\u00e3o de Yuma. J\u00e1 no M\u00e9xico, ele p\u00f4de ver ao vivo a situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o que vinha acontecendo h\u00e1 10 anos. De fato, em Toluca teve a oportunidade de ordenar a transfer\u00eancia para um dos templos claretianos dos restos mortais do Irm\u00e3o Mariano Gonz\u00e1lez, que foi baleado iniquamente pelos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n<p>Como se tudo isso n\u00e3o bastasse, o aguerrido geral e seu secret\u00e1rio ainda precisavam retornar \u00e0 Espanha. Em primeiro lugar, tiveram que retornar a Nova Orleans para viajar a Havana, a fim de evitar a quarentena exigida de quem partiu do M\u00e9xico. E foi na volta de Cuba para a Espanha que eles experimentaram o maior perigo de toda a viagem. Que o pr\u00f3prio Pe. Alsina o diga em uma breve circular escrita em 1\u00ba de fevereiro de Madri:<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTodos est\u00e3o cientes da furiosa tempestade desencadeada nas costas da Espanha, Portugal, Fran\u00e7a e Inglaterra, e os enormes danos e as muitas v\u00edtimas que causou. Pois bem, queridos irm\u00e3os, esta tempestade tamb\u00e9m nos atingiu, mas antes de chegar \u00e0s ilhas dos A\u00e7ores, e durante 3 dias manteve-nos numa constante amea\u00e7a de mergulhar no abismo, com as grandes ondas que se sucediam a cair no barco em que naveg\u00e1vamos. O perigo passou, mas isso aumenta em n\u00f3s o dever de gratid\u00e3o \u00e0 nossa grande benfeitora e m\u00e3e, e tamb\u00e9m deve aumentar cada vez mais nossa confian\u00e7a filial nela\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n<p>Com tons mais escuros, o Pe. Cepeda assim relatava:<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p> \u201cPor fim, no dia 12 de janeiro, \u00e0s 10h00 da manh\u00e3, ocupamos nossas cabines no vapor \u2018Maasdam\u2019 e nos despedimos das costas da Am\u00e9rica. Nos primeiros dias de navega\u00e7\u00e3o o mar estava calmo e nos asseguraram que em 10 dias o vapor cobriria as 3.980 milhas que separam Havana de Vigo, mas no s\u00e1bado dia 19 estourou um violento furac\u00e3o que fez o oceano tremer de forma imponente. As ondas subiam furiosamente como montanhas e ca\u00edam no conv\u00e9s do vapor com um barulho aterrorizante. A for\u00e7a do vento impediu que a m\u00e1quina funcionasse e assim ela come\u00e7ou a se mover para tr\u00e1s &#8220;enfrentando a tempestade&#8221;, na frase dos marinheiros. Tem\u00edamos que fosse o fim de nossas vidas e que o oceano servisse como nosso t\u00famulo. Celebramos a missa, amarrando bem o altar, para nos fortalecermos para a jornada. Felizmente, depois de 3 dias a tempestade diminuiu\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n<p><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1482\" data-attachment-id=\"122836\" data-permalink=\"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/recordando-o-reverendissimo-padre-martin-alsina-cmf-no-centenario-da-sua-morte-2-de-marco-de-1922\/martin-alsina-y-felix-alejandro-cepeda-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-scaled.jpg?fit=1865%2C2560&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1865,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-scaled.jpg?fit=746%2C1024&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-scaled.jpg?resize=1080%2C1482&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-122836\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-scaled.jpg 1865w, https:\/\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-1280x1757.jpg 1280w, https:\/\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-980x1345.jpg 980w, https:\/\/www.claret.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Martin-Alsina-y-Felix-Alejandro-Cepeda-480x659.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) and (max-width: 1280px) 1280px, (min-width: 1281px) 1865px, 100vw\" \/><figcaption>Mart\u00edn Alsina E F\u00e9lix Alejandro Cepeda<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/p>\n\n<p>Finalmente aportaram em Vigo, Espanha, em 27 de janeiro de 1922, um ano e dois meses ap\u00f3s a partida. E de l\u00e1 partiram para Madri, de onde o Pe. Geral seguiu imediatamente no dia 3 de fevereiro para La Selva del Camp e Santo Domingo, para presidir dois Cap\u00edtulos provinciais. Finalmente, encontramos o Pe. Mar\u00edn Alsina em Zafra no dia 28 de fevereiro, fatigado e com febre semelhante \u00e0 gripe que lhe causou um forte ataque de dispneia. Em 2 de mar\u00e7o, ele ainda queria se levantar para celebrar a Eucaristia, mas eles o impediram. Quando o m\u00e9dico foi v\u00ea-lo naquela manh\u00e3, descobriu, para sua surpresa, que seu cora\u00e7\u00e3o havia parado de bater. Eram 9 da manh\u00e3. Estava com 63 anos, 16 deles passados a servi\u00e7o da Congrega\u00e7\u00e3o como Superior Geral. Um m\u00eas antes de sua morte, havia convocado providencialmente o Cap\u00edtulo Geral, dois anos antes do previsto. Um Cap\u00edtulo que ele n\u00e3o poderia presidir, mas que teve seu exemplo inestim\u00e1vel de amor e dedica\u00e7\u00e3o heroica \u00e0 sua amada Congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao recordar o Rev.mo Pe. Mart\u00edn Alsina, 100 anos ap\u00f3s a sua morte, n\u00e3o se trata de recordar os marcos da sua hist\u00f3ria pessoal e o seu incans\u00e1vel trabalho como Geral da Congrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 bastante conhecido. 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