{"id":185849,"date":"2026-02-18T11:36:50","date_gmt":"2026-02-18T10:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.claret.org\/o-amor-de-deus-nunca-acaba-charito-d-tano-cmf\/"},"modified":"2026-03-04T12:30:43","modified_gmt":"2026-03-04T11:30:43","slug":"o-amor-de-deus-nunca-acaba-charito-d-tano-cmf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/o-amor-de-deus-nunca-acaba-charito-d-tano-cmf\/","title":{"rendered":"O amor de Deus nunca acaba &#8211; Charito D. Tano, CMF"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n<p>Chamam-me Charnito D. Tano, CMF. Sou um jovem mission\u00e1rio rec\u00e9m-professo e atualmente estou a frequentar o meu primeiro ano de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Depois de um longo caminho de discernimento, gostaria de compartilhar com voc\u00eas a hist\u00f3ria da minha voca\u00e7\u00e3o e minha reflex\u00e3o sobre como respondi ao chamado de Deus.<\/p>\n\n<p>Nasci em uma fam\u00edlia cat\u00f3lica simples, onde a f\u00e9 fazia parte da nossa vida cotidiana. Meus pais e av\u00f3s me ensinaram a rezar e me levavam sem falta \u00e0 missa dominical em nossa pequena capela. Ao crescer, nunca imaginei que um dia consideraria a voca\u00e7\u00e3o religiosa. No entanto, acredito que Deus j\u00e1 estava semeando as sementes da minha voca\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca. Quando crian\u00e7a, admirava nosso p\u00e1roco, sempre presente nas celebra\u00e7\u00f5es das festas da comunidade. Seu servi\u00e7o alegre me inspirava, embora eu pensasse: \u201cEsse tipo de vida n\u00e3o \u00e9 para mim\u201d. Nunca imaginei que me tornaria padre.<\/p>\n\n<p>Durante a adolesc\u00eancia, concentrei-me nos estudos, nas amizades e nos sonhos de uma futura carreira profissional. Queria ser policial, soldado ou um profissional de sucesso. Mas, em meio a essas ambi\u00e7\u00f5es, muitas vezes sentia um vazio que nenhum dos meus planos conseguia preencher. Depois de terminar o ensino m\u00e9dio, fiz um curso profissional. Ao mesmo tempo, envolvi-me na par\u00f3quia atrav\u00e9s de atividades juvenis e entrei para o grupo coral. Foi ent\u00e3o que reencontrei um antigo companheiro do meu time de futebol. Ele me apresentou sua congrega\u00e7\u00e3o e, em nossas conversas, me falou sobre a vida no semin\u00e1rio e sua miss\u00e3o. Nunca imaginei que, por meio desse encontro, Deus abriria um novo caminho para mim. Aquela simples apresenta\u00e7\u00e3o me deu uma base e uma abertura para a vida religiosa. Foi o in\u00edcio da descoberta de que Deus estava me chamando o tempo todo.<\/p>\n\n<p>Primeiro, entrei para uma comunidade religiosa que minha tia me apresentou. No entanto, fiquei l\u00e1 apenas uma semana, quase como f\u00e9rias curtas. No meu \u00edntimo, sentia que n\u00e3o conseguiria sustentar esse tipo de vida, porque ainda estava preso a muitas atra\u00e7\u00f5es mundanas. Com essa luta, decidi continuar meu curso superior. Estudei marketing na universidade local. Meus dias eram preenchidos com estudos, servi\u00e7o na par\u00f3quia como organista e membro do coro, e tocando em uma banda local nas noites de s\u00e1bado para ajudar a pagar meus estudos e minhas necessidades di\u00e1rias. Isso se tornou ainda mais necess\u00e1rio depois que meu pai faleceu durante meu primeiro ano de faculdade. No entanto, minha vida acad\u00eamica era dif\u00edcil e eu me sentia infeliz. Eu at\u00e9 me envolvi em relacionamentos com garotas, esquecendo o chamado do Senhor que eu havia sentido uma vez.<\/p>\n\n<p>Mesmo assim, havia momentos em que sentia um vazio no cora\u00e7\u00e3o, uma inquieta\u00e7\u00e3o que me levava a buscar o sil\u00eancio diante de Deus. Durante meu segundo ano na universidade, voltei a pensar em entrar na vida religiosa, desta vez atrav\u00e9s da congrega\u00e7\u00e3o de um parente padre. Mas ele me aconselhou a terminar primeiro a faculdade. Naquele momento, perdi a coragem e a esperan\u00e7a. Eu me preocupava com muitas coisas: estudar, vender produtos de beleza, tocar em um bar-restaurante e servir na par\u00f3quia em funerais e casamentos como organista e cantor.<\/p>\n\n<p>Pela gra\u00e7a de Deus, terminei a faculdade. Depois de me formar, tentei encontrar um emprego; me candidatei para entrar no ex\u00e9rcito e em cargos administrativos, mas sentia que nada disso era para mim. Um dia, o p\u00e1roco me incentivou a entrar no semin\u00e1rio diocesano. Recusei porque, no fundo, me atra\u00eda mais a vida religiosa do que a via diocesana. Mas como j\u00e1 havia perdido o interesse e tinha um relacionamento amoroso, n\u00e3o persegui isso. Ao mesmo tempo, n\u00e3o podia deixar meus pais, que estavam doentes. Finalmente, decidi acompanhar minha namorada em seu neg\u00f3cio em uma \u00e1rea mineradora. Moramos l\u00e1, cerca de um ano e alguns meses. Mesmo assim, continuei servindo em uma pequena capela: levava meu viol\u00e3o e meu livro de can\u00e7\u00f5es, atravessava rios e colinas para conduzir as ora\u00e7\u00f5es e rezar o ros\u00e1rio com a comunidade. Naquele momento, eu j\u00e1 n\u00e3o pensava mais em entrar no semin\u00e1rio. Meu \u00fanico desejo era assentar e me casar.<\/p>\n\n<p>Durante os cinco anos seguintes, trabalhei em diferentes \u00e1reas: como funcion\u00e1rio da par\u00f3quia, respons\u00e1vel por uma rede de fast food, assistente na zona mineira e at\u00e9 mesmo em neg\u00f3cios e com\u00e9rcio online. Ent\u00e3o, minha vida mudou inesperadamente. Minha m\u00e3e faleceu e, ao mesmo tempo, meu relacionamento terminou. Essas trag\u00e9dias e dificuldades partiram meu cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m me aproximaram da Igreja e do Senhor. Em minha dor, muitas vezes perguntava a Deus: \u201cPor que isso est\u00e1 acontecendo comigo?\u201d. No entanto, mesmo no sofrimento, buscava a verdade e implorava por consolo. Houve momentos em que chorava enquanto trabalhava na \u00e1rea mineira, implorando por Sua miseric\u00f3rdia. Uma coisa, no entanto, nunca abandonei: minha devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem Maria. Rezava o ros\u00e1rio todos os dias e me confiava aos Seus cuidados maternos. Eu dizia a Ela: \u201cN\u00e3o tenho mais m\u00e3e. Agora voc\u00ea \u00e9 minha M\u00e3e; guie-me, por favor\u201d.<\/p>\n\n<p>Num momento de discernimento, ouvi um programa de r\u00e1dio cat\u00f3lico que falava sobre voca\u00e7\u00e3o e vida religiosa. Perguntei-me: \u201cE se Deus estiver me chamando?\u201d. Tentei afastar esse pensamento dizendo: \u201cSou um pecador. N\u00e3o sou santo. Conhe\u00e7o as minhas falhas\u201d. Mesmo assim, cada vez que servia na missa, sentia algo muito profundo dentro de mim que n\u00e3o podia ignorar. Ent\u00e3o comecei a discernir mais seriamente, perguntando ao Senhor se essa era realmente a vida que Ele queria para mim. Com o passar dos meses, decidi procurar uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa, porque o meu cora\u00e7\u00e3o se sentia atra\u00eddo pela vida consagrada, especialmente por uma comunidade com um forte esp\u00edrito mission\u00e1rio. Atrav\u00e9s da Internet e do Facebook, descobri diferentes congrega\u00e7\u00f5es, at\u00e9 encontrar os Claretianos. N\u00e3o podia acreditar que fossem uma congrega\u00e7\u00e3o mariana, e encheu-me de alegria compreender que a Sant\u00edssima Virgem me tinha estado a guiar o tempo todo.<\/p>\n\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o e no discernimento diante do Sant\u00edssimo Sacramento, senti uma paz profunda, como se o pr\u00f3prio Deus me sussurrasse: \u201cN\u00e3o temas. Estou contigo\u201d. N\u00e3o era apenas uma voz: era uma certeza no cora\u00e7\u00e3o. Essa paz me deu coragem para dar o primeiro passo. Segui o seu chamado, embora tenha sido dif\u00edcil deixar o trabalho, a fam\u00edlia e at\u00e9 mesmo um novo relacionamento. Aos 32 anos, j\u00e1 como jovem profissional, juntei-me aos Mission\u00e1rios Claretianos.<\/p>\n\n<p>A vida na comunidade formativa n\u00e3o foi f\u00e1cil. Sentia saudades da minha fam\u00edlia e, \u00e0s vezes, me perguntava se tinha tomado a decis\u00e3o certa. Mas, \u00e0 medida que crescia na vida comunit\u00e1ria, nos estudos e, acima de tudo, na ora\u00e7\u00e3o, fui descobrindo uma liberdade mais profunda. Pouco a pouco, Deus foi moldando meu cora\u00e7\u00e3o, ensinando-me humildade, confian\u00e7a e perseveran\u00e7a. E, atrav\u00e9s de tudo isso, senti o amor de minha M\u00e3e Maria, que n\u00e3o me abandonou nos momentos dif\u00edceis. Hoje posso me chamar verdadeiramente filho do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria.<\/p>\n\n<p>Agora continuo este caminho de forma\u00e7\u00e3o. Como claretiano rec\u00e9m-professo, fiz os votos de castidade, pobreza e obedi\u00eancia, comprometendo-me a n\u00e3o recuar. H\u00e1 dificuldades todos os dias, mas tamb\u00e9m uma imensa alegria em servir a Deus e ao seu povo. Sou testemunha de como Deus usa at\u00e9 mesmo minhas fraquezas para sua gl\u00f3ria, seja no ensino, no apostolado paroquial, na vida comunit\u00e1ria ou na defesa da minha f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n\n<p>Olhando para tr\u00e1s, percebo que a voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a ver com perfei\u00e7\u00e3o, mas com disponibilidade. Deus nos chama de maneira comum, atrav\u00e9s da fam\u00edlia, da ora\u00e7\u00e3o, das circunst\u00e2ncias e do servi\u00e7o  e espera pacientemente pelo nosso \u201csim\u201d. Minha hist\u00f3ria ainda est\u00e1 sendo escrita, mas sei que, onde quer que Ele me leve, minha vida Lhe pertence. Rezo para que outros, especialmente os jovens e os jovens profissionais, tamb\u00e9m estejam abertos a ouvir e a confiar no chamado de Deus para suas vidas. Estou convencido de que o amor de Deus nunca acaba, apesar de nossa pecaminosidade; pelo contr\u00e1rio, Ele sussurra em nossos cora\u00e7\u00f5es: \u201cN\u00e3o temam. Eu estou com voc\u00eas. Voc\u00eas s\u00e3o meus\u201d.<\/p>\n\n<p>Quezon City (Filipinas)<\/p>\n\n<p>Agosto de 2025.<\/p>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamam-me Charnito D. Tano, CMF. Sou um jovem mission\u00e1rio rec\u00e9m-professo e atualmente estou a frequentar o meu primeiro ano de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Depois de um longo caminho de discernimento, gostaria de compartilhar com voc\u00eas a hist\u00f3ria da minha voca\u00e7\u00e3o e minha reflex\u00e3o sobre como respondi ao chamado de Deus. 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