{"id":186212,"date":"2026-02-18T15:50:20","date_gmt":"2026-02-18T14:50:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.claret.org\/meu-servico-de-animacao-jpic-em-roma-vincent-anesthasiar-cmf\/"},"modified":"2026-03-04T12:34:40","modified_gmt":"2026-03-04T11:34:40","slug":"meu-servico-de-animacao-jpic-em-roma-vincent-anesthasiar-cmf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.claret.org\/pt-pt\/meu-servico-de-animacao-jpic-em-roma-vincent-anesthasiar-cmf\/","title":{"rendered":"MEU SERVI\u00c7O DE ANIMA\u00c7\u00c3O JPIC EM ROMA &#8211; Vincent Anesthasiar CMF"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando voc\u00ea \u00e9 chamado para servir em Roma, isso significa que voc\u00ea \u00e9 uma pessoa confi\u00e1vel, trabalhadora e experiente. Essas pessoas tamb\u00e9m carregam consigo certo grau de respeito pr\u00f3prio e autoimagem. Eu tamb\u00e9m cheguei a Roma em 03.10. 2016. Mas, logo ap\u00f3s minha chegada, fiquei abalado. Eu esperava interculturalidade na comunidade, mas o estilo de vida era predominantemente europeu. \u00c9 preciso perguntar, e pessoas n\u00e3o assertivas podem ser facilmente ignoradas. Meu trabalho muitas vezes se limitava ao computador. Em geral, eu ficava em sil\u00eancio sem saber italiano. Isso fez com que uma pessoa comentasse que eu n\u00e3o sabia muito, e outra pessoa disse que eu estava me movendo como um fantasma. Havia muito pouca chance de entrar em contato com as pessoas, especialmente com os pobres. Por isso, para mim tamb\u00e9m, as pessoas pareciam imagens em movimento. Quando visitei Roma pela primeira vez em 1992, a cidade era atraente. Mas agora, passar pelas ruas de Roma era mon\u00f3tono e pesado. Meu ego de vez em quando surgia para se ressentir, mas n\u00e3o havia linguagem para explicar e a imagem que eu carregava de mim mesmo dizia n\u00e3o.  Ao passar por essas lutas internas, um dia me senti como ningu\u00e9m, vazio e nu. Minha experi\u00eancia foi como uma casa cujo telhado foi varrido por uma tempestade.  Mas havia raios de esperan\u00e7a de que meu telhado pudesse ser consertado com o uso de ferramentas apropriadas. Comecei a escolher as ferramentas e a coloc\u00e1-las em pr\u00e1tica.<\/p>\n\n<p><p><b>Ferramenta 01: Espiritualidade<\/b><\/p><\/p>\n\n<p>S\u00e3o Paulo foi atingido e imobilizado durante sua viagem de Jerusal\u00e9m a Damasco (At 9, 4-9). Foi uma viagem que o fez passar por um processo de convers\u00e3o. Entendi que fui atingido porque eu tamb\u00e9m precisava de convers\u00e3o. Para isso, comecei a fazer medita\u00e7\u00e3o contemplativa, usando os m\u00e9todos de Vipasana, Zen e ora\u00e7\u00e3o centralizada. Quase todos os dias, das 9 \u00e0s 22 horas, a medita\u00e7\u00e3o era feita. Al\u00e9m disso, a ora\u00e7\u00e3o da miseric\u00f3rdia divina era feita \u00e0s 15 horas. Gradualmente, essas pr\u00e1ticas espirituais foram \u00fateis para encontrar Deus dentro de n\u00f3s, nas pessoas e no planeta. Percebi que nosso compromisso com a miss\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o social exigia uma profunda engenharia interior e somente aqueles que experimentaram a conex\u00e3o interior poderiam se preocupar com a desconex\u00e3o sofrida pelo mundo exterior; caso contr\u00e1rio, a mis\u00e9ria das pessoas poderia se tornar uma oportunidade para a autopromo\u00e7\u00e3o e o lucro. Somente o que semeamos dentro de n\u00f3s \u00e9 colhido fora. Isso trouxe a convic\u00e7\u00e3o de que um promotor de JPIC que n\u00e3o consegue se sentar em medita\u00e7\u00e3o provavelmente causar\u00e1 mais danos do que benef\u00edcios \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n<p>Essa experi\u00eancia me levou a escolher a ora\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o como um modo importante da miss\u00e3o da JPIC. Por isso, eu tamb\u00e9m estava incentivando outras pessoas a praticar m\u00e9todos contemplativos de medita\u00e7\u00e3o. Descobri que h\u00e1 uma grande acolhida, especialmente entre os formadores e os formandos. <\/p>\n\n<p><p><b>Ferramenta 02: Forma\u00e7\u00e3o JPIC para abrir os olhos e queimar o cora\u00e7\u00e3o<\/b><\/p><\/p>\n\n<p>Os disc\u00edpulos que viajaram de Jerusal\u00e9m para Ema\u00fas estavam conversando sobre Jesus entre eles. Eles tamb\u00e9m acolheram, ouviram e ofereceram hospedagem e alojamento para Jesus, que apareceu como um estranho. Ao relembrarem sua experi\u00eancia enquanto Jesus estava com eles, diz-se que &#8220;seus olhos se abriram e seus cora\u00e7\u00f5es arderam&#8221; (cf. Lc 24, 13-35).<\/p>\n\n<p>Em n\u00edvel pessoal, abrir os olhos implicava o aprendizado do idioma, da cultura, da pol\u00edtica e da geografia locais, sem os quais eu seria um estranho aqui. Por isso, tentei aprender o idioma e a cultura italianos.<\/p>\n\n<p>Compartilhar com outras pessoas os recursos do JPIC faz com que seus olhos se abram para novos conhecimentos e faz com que seus cora\u00e7\u00f5es ardam de paix\u00e3o. Como todos os mission\u00e1rios t\u00eam as m\u00e3os cheias de trabalhos para realizar, comecei a ver as realidades globais e, periodicamente, atualizava os mission\u00e1rios brevemente em uma linguagem simples. O E-news e o News Brief do JPIC Roma foram de grande ajuda para conhecer o mundo. Quando cheguei a Roma, minha vis\u00e3o era limitada \u00e0 perspectiva indiana. Meu aprendizado e minhas experi\u00eancias no curso para novos promotores da JPIC-2016 e nos Grupos de Trabalho da JPIC Roma abriram minha perspectiva. Tamb\u00e9m ganhei muito com os relat\u00f3rios compartilhados pelo Pe. Kenneth Thesing, em nome da ICR na FAO (Congrega\u00e7\u00f5es Internacionais Religiosas na Organiza\u00e7\u00e3o para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura). <\/p>\n\n<p>Aprender sobre &#8220;os dias internacionais celebrados pela Igreja e pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), as conven\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos da ONU, os ensinamentos sociais da Igreja, os fundamentos b\u00edblicos para a JPIC, os recursos de JPIC dos fundadores\/fundadoras e da congrega\u00e7\u00e3o, a espiritualidade e o di\u00e1logo inter-religiosos, o abandono do pl\u00e1stico de uso \u00fanico, a promo\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis e os investimentos \u00e9ticos&#8221; s\u00e3o aspectos indispens\u00e1veis para abrir os olhos e incendiar os cora\u00e7\u00f5es. Como os cora\u00e7\u00f5es dos religiosos podem ser efetivamente acessados por meio de ora\u00e7\u00f5es, as reflex\u00f5es sobre os temas acima foram compartilhadas na forma de &#8220;ora\u00e7\u00f5es-reflex\u00f5es&#8221;. Agrade\u00e7o ao JPIC Roma por ter me dado a oportunidade de compartilhar esses recursos com a Comiss\u00e3o JPIC Roma, o Grupo Central JPIC, os Promotores JPIC, os participantes das oficinas de forma\u00e7\u00e3o JPIC Roma e os participantes do treinamento de Formadores organizado pela UISG.<\/p>\n\n<p><p><b>Ferramenta 03: Atos de compaix\u00e3o<\/b><\/p><\/p>\n\n<p>A espiritualidade, a abertura dos olhos e o ardor dos cora\u00e7\u00f5es s\u00f3 se tornam cr\u00edveis quando se traduzem em a\u00e7\u00f5es de compaix\u00e3o. Por isso, o promotor de JPIC deve percorrer diariamente o caminho percorrido pelo Bom Samaritano de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3 (cf. Lc 10, 25-37), servindo as pessoas feridas e o planeta. Essas miss\u00f5es devem ser realizadas em rede com outras pessoas, bem como em n\u00edvel pessoal.<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><p><b>Na rede <\/b><\/p><\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Participar, em nome de nossa Congrega\u00e7\u00e3o, da Diretoria da South Sudan Solidarity (SSS), da Assembleia e das atividades da SEDOS e da AEFJN foram oportunidades para eu servir em parceria.<\/p>\n\n<p>Nosso Superior Geral, Pe. Mathew Vattamattam, CMF, e o Pe. Pedro, Prefeito Geral de Apostolado, t\u00eam sido muito encorajadores em acolher refugiados na C\u00faria Geral em parceria com o Centro Astalli (a unidade italiana do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados) e em fornecer alimentos para os desabrigados em parceria com leigos, a Fam\u00edlia Claretiana e a Comunidade de Santo Eg\u00eddio.<\/p>\n\n<p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A JPIC Roma me ajudou a servir como membro do Setor Religioso do formul\u00e1rio da Placa de A\u00e7\u00e3o Laudato Si (LSAP). O Movimento Laudati Si me envolveu na prepara\u00e7\u00e3o do &#8220;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Guia de Transi\u00e7\u00e3o para Desinvestimento, Guia de Transi\u00e7\u00e3o para Bancos Sustent\u00e1veis e Guia de Transi\u00e7\u00e3o para Seguros Sustent\u00e1veis&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><p><b>Pessoalmente<\/b><\/p><\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Um dos meus principais aprendizados, com meus formadores e l\u00edderes congregacionais inspiradores, \u00e9 n\u00e3o deixar nenhum dia sem ajudar uma pessoa necessitada. Houve oportunidades de fazer atos de amor para as pessoas que mendigavam na estrada, para os refugiados em busca de trabalho e para os doentes que buscavam cura. Como fui aben\u00e7oado com as habilidades de cura por meio de terapias alternativas, pude ajudar a sa\u00fade das pessoas quase diariamente.  Tamb\u00e9m pude treinar as pessoas em terapias alternativas na It\u00e1lia, no Qu\u00eania, na Tanz\u00e2nia, em Camar\u00f5es, na Guin\u00e9 Equatorial e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo durante esses anos.<\/p>\n\n<p><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Essas ferramentas fizeram com que eu me sentisse satisfeito, feliz e seguro, com um teto restaurado sobre minha cabe\u00e7a.<\/span><\/i><\/p><\/p>\n\n<p><p><b>Do deserto a Bagamoyo<\/b><\/p><\/p>\n\n<p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Tanz\u00e2nia, h\u00e1 uma cidade portu\u00e1ria chamada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bagamoyo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que significa &#8220;o lugar do cora\u00e7\u00e3o&#8221;. O Dr. David Livingston, que era membro da Sociedade Mission\u00e1ria de Londres, estava trabalhando na Z\u00e2mbia at\u00e9 sua morte (1874). Seu corpo foi reivindicado pela Sociedade Mission\u00e1ria e tamb\u00e9m pelo povo zambiano a quem ele servia. Por fim, foi acordado que o cora\u00e7\u00e3o pertenceria ao povo e o corpo \u00e0 Sociedade Mission\u00e1ria. Seu corpo, ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, foi enviado para Londres a partir desse porto. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es do nome Bagamoyo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Roma parecia um deserto para mim em minha chegada em 2016 e agora se tornou Bagamoyo. Agrade\u00e7o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e0 minha Congrega\u00e7\u00e3o Claretiana, \u00e0 comunidade da C\u00faria Geral e ao JPIC Roma por essa grande experi\u00eancia transformadora.<\/span><\/p><\/p>\n\n<p>Delega\u00e7\u00e3o Kolkata<\/p>\n\n<p>novembro 2023<\/p>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando voc\u00ea \u00e9 chamado para servir em Roma, isso significa que voc\u00ea \u00e9 uma pessoa confi\u00e1vel, trabalhadora e experiente. Essas pessoas tamb\u00e9m carregam consigo certo grau de respeito pr\u00f3prio e autoimagem. 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