A aventura de viver amando e o risco de ser feliz em Cristo é o que basicamente forma o pano de fundo da minha vocação. Lembro-me de alguém me ter dito: “Feliz de vocês que responderam com gratidão ao chamado de Deus”; eu respondi: “Ainda não respondi, porém estou feliz em responder a cada dia e em todos os dias da minha vida”. Hoje estou melhor do que ontem, mas ainda estou respondendo até aquele dia, quando meu sim vai se tornar definitivo. Vou contar minha história com suas luzes e sombras, pois a vida é muito colorida e cabe a nós deixar Deus produzir belos padrões com as cores disponíveis em nossas vidas. Ele sabe melhor como unir cores claras e escuras de tal forma que a luz prevaleça sempre sobre as sombras.
O amor tinha que me conquistar, pois é só ele poderia fazer isso. Através de diferentes pessoas e eventos, e por sua Palavra, Deus me fez humilde para investisse meus talentos, energias e tempo para o bem da humanidade e para o Evangelho. Ele bateu e abriu portas que nem uma pessoa, nem um evento, nem uma coisa poderiam fechar em minha vida. Sendo um jovem enérgico e apaixonado, eu estava sonhando alto e “aquecia os motores” para colocar minha marca nas areias da minha geração. Tendo sido formado nas disciplinas de ciências, eu estava inclinado a carreiras de engenharia química e física. Embora tivesse uma mente muito matemática, que me fazia procurar mais a razoabilidade das coisas, havia sempre em mim um fato e um sentimento a respeito da existência de Deus.
O amor de Cristo me impulsiona. Deus sempre foi para mim esse ser superior, acima de todos os seres, que nos trata com um amor paternal e maternal. Mais tarde em minha vida, eu poderia duvidar de todos os outros atributos de Deus, mas sua benevolência provou ser um fato inegável para mim. Mesmo em tempos de sofrimento, eu acho que o sofrimento só tem sentido aos olhos daquele que nos olha com um coração amoroso. Só há sentido para todos na vida se existe um Deus que é todo amoroso. Nada é mais verdadeiro e fundante em minha vocação que o amor de Deus. Sempre me sinto tocado quando leio a carta de São João: veja o amor que o Pai tem por nós. Eu sempre me pergunto quanto amor os outros veem em mim.
Em minha jornada formativa, a experiência e o experimento estavam no mesmo patamar. Depois de mim, havia ima experiência disponível, mas para mim havia uma experiência a ser vivida. A verdade é que escolhi o caminho menos percorrido, e ele me proporcionou muitas aventuras e desafios. Deus me acompanhou através de diferentes pessoas e eventos e eu gostei dessa caminhada. O que descobri é que seguir Jesus Cristo nos passos de Claret é uma experiência de voltar para casa, ao embarcar no caminho de volta, nos sentimos em casa porque Cristo que preenche agora nossos corações e isto é tudo o que nos espera no Pai.
Revestido de amor e inspirado pelo Evangelho, há uma dose de mistério em minha vida vocacional. Coisas que sem aludir à minha fé não teriam sentido. Há algo espontâneo, que funciona como resposta automática. Há também a parte razoável onde eu digo: “se eu não estivesse comprometido com minha vocação, ela não teria sido cumprida até agora”. Dizer isto não significa que eu já tenha superado ou que eu ache as coisas da minha vocação tão fáceis, cada dia eu me esforço como o Apóstolo Paulo, eu continuo a insistir, correndo para frente em direção ao objetivo a alcançar que é Cristo. Minha caminhada vocacional é uma maratona, uma longa marcha, assim como a própria vida. Ainda não estaria em lugar algum sem ter a coragem e a confiança de nunca estar sozinho, pois o sempre Senhor me acompanha.
A missão de Zimbábue, meu campo de aprendizado missionário, é, de um lado, como uma montanha íngreme e, de outro, um local onde as crianças podem brincar. Dependendo da perspectiva de cada um, é um desafio ou uma possibilidade. A missão é dotada de várias sementes de vida que precisam ser cultivadas e cuidadas. O trabalho é abundante e os trabalhadores são poucos ou não estão suficientemente preparados. A diversidade cultural dos missionários na Missão do Zimbábue é um enriquecimento, mas também um desafio. Esta missão é para mim uma alegria, não uma luta, porque tenho meu coração nela. Ela me chama mais através de sinais diferentes para lançar minhas redes para uma captura e eu deveria estar pronto, mesmo que isso signifique realizar o mesmo gesto mil vezes. Confio tudo à nossa Mãe Maria para que interceda pela missão do Zimbábue. Mil agradecimentos a todos os que rezam por nós. Obrigada a todos.
Missão Zhomba, Zimbábue.
20 de janeiro de 2022.







