O amor de Deus nunca acaba – Charito D. Tano, CMF

Fev 18, 2026 | HISTÓRIAS DE VOCAÇÃO

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Chamam-me Charnito D. Tano, CMF. Sou um jovem missionário recém-professo e atualmente estou a frequentar o meu primeiro ano de formação teológica. Depois de um longo caminho de discernimento, gostaria de compartilhar com vocês a história da minha vocação e minha reflexão sobre como respondi ao chamado de Deus.

Nasci em uma família católica simples, onde a fé fazia parte da nossa vida cotidiana. Meus pais e avós me ensinaram a rezar e me levavam sem falta à missa dominical em nossa pequena capela. Ao crescer, nunca imaginei que um dia consideraria a vocação religiosa. No entanto, acredito que Deus já estava semeando as sementes da minha vocação naquela época. Quando criança, admirava nosso pároco, sempre presente nas celebrações das festas da comunidade. Seu serviço alegre me inspirava, embora eu pensasse: “Esse tipo de vida não é para mim”. Nunca imaginei que me tornaria padre.

Durante a adolescência, concentrei-me nos estudos, nas amizades e nos sonhos de uma futura carreira profissional. Queria ser policial, soldado ou um profissional de sucesso. Mas, em meio a essas ambições, muitas vezes sentia um vazio que nenhum dos meus planos conseguia preencher. Depois de terminar o ensino médio, fiz um curso profissional. Ao mesmo tempo, envolvi-me na paróquia através de atividades juvenis e entrei para o grupo coral. Foi então que reencontrei um antigo companheiro do meu time de futebol. Ele me apresentou sua congregação e, em nossas conversas, me falou sobre a vida no seminário e sua missão. Nunca imaginei que, por meio desse encontro, Deus abriria um novo caminho para mim. Aquela simples apresentação me deu uma base e uma abertura para a vida religiosa. Foi o início da descoberta de que Deus estava me chamando o tempo todo.

Primeiro, entrei para uma comunidade religiosa que minha tia me apresentou. No entanto, fiquei lá apenas uma semana, quase como férias curtas. No meu íntimo, sentia que não conseguiria sustentar esse tipo de vida, porque ainda estava preso a muitas atrações mundanas. Com essa luta, decidi continuar meu curso superior. Estudei marketing na universidade local. Meus dias eram preenchidos com estudos, serviço na paróquia como organista e membro do coro, e tocando em uma banda local nas noites de sábado para ajudar a pagar meus estudos e minhas necessidades diárias. Isso se tornou ainda mais necessário depois que meu pai faleceu durante meu primeiro ano de faculdade. No entanto, minha vida acadêmica era difícil e eu me sentia infeliz. Eu até me envolvi em relacionamentos com garotas, esquecendo o chamado do Senhor que eu havia sentido uma vez.

Mesmo assim, havia momentos em que sentia um vazio no coração, uma inquietação que me levava a buscar o silêncio diante de Deus. Durante meu segundo ano na universidade, voltei a pensar em entrar na vida religiosa, desta vez através da congregação de um parente padre. Mas ele me aconselhou a terminar primeiro a faculdade. Naquele momento, perdi a coragem e a esperança. Eu me preocupava com muitas coisas: estudar, vender produtos de beleza, tocar em um bar-restaurante e servir na paróquia em funerais e casamentos como organista e cantor.

Pela graça de Deus, terminei a faculdade. Depois de me formar, tentei encontrar um emprego; me candidatei para entrar no exército e em cargos administrativos, mas sentia que nada disso era para mim. Um dia, o pároco me incentivou a entrar no seminário diocesano. Recusei porque, no fundo, me atraía mais a vida religiosa do que a via diocesana. Mas como já havia perdido o interesse e tinha um relacionamento amoroso, não persegui isso. Ao mesmo tempo, não podia deixar meus pais, que estavam doentes. Finalmente, decidi acompanhar minha namorada em seu negócio em uma área mineradora. Moramos lá, cerca de um ano e alguns meses. Mesmo assim, continuei servindo em uma pequena capela: levava meu violão e meu livro de canções, atravessava rios e colinas para conduzir as orações e rezar o rosário com a comunidade. Naquele momento, eu já não pensava mais em entrar no seminário. Meu único desejo era assentar e me casar.

Durante os cinco anos seguintes, trabalhei em diferentes áreas: como funcionário da paróquia, responsável por uma rede de fast food, assistente na zona mineira e até mesmo em negócios e comércio online. Então, minha vida mudou inesperadamente. Minha mãe faleceu e, ao mesmo tempo, meu relacionamento terminou. Essas tragédias e dificuldades partiram meu coração, mas também me aproximaram da Igreja e do Senhor. Em minha dor, muitas vezes perguntava a Deus: “Por que isso está acontecendo comigo?”. No entanto, mesmo no sofrimento, buscava a verdade e implorava por consolo. Houve momentos em que chorava enquanto trabalhava na área mineira, implorando por Sua misericórdia. Uma coisa, no entanto, nunca abandonei: minha devoção à Santíssima Virgem Maria. Rezava o rosário todos os dias e me confiava aos Seus cuidados maternos. Eu dizia a Ela: “Não tenho mais mãe. Agora você é minha Mãe; guie-me, por favor”.

Num momento de discernimento, ouvi um programa de rádio católico que falava sobre vocação e vida religiosa. Perguntei-me: “E se Deus estiver me chamando?”. Tentei afastar esse pensamento dizendo: “Sou um pecador. Não sou santo. Conheço as minhas falhas”. Mesmo assim, cada vez que servia na missa, sentia algo muito profundo dentro de mim que não podia ignorar. Então comecei a discernir mais seriamente, perguntando ao Senhor se essa era realmente a vida que Ele queria para mim. Com o passar dos meses, decidi procurar uma congregação religiosa, porque o meu coração se sentia atraído pela vida consagrada, especialmente por uma comunidade com um forte espírito missionário. Através da Internet e do Facebook, descobri diferentes congregações, até encontrar os Claretianos. Não podia acreditar que fossem uma congregação mariana, e encheu-me de alegria compreender que a Santíssima Virgem me tinha estado a guiar o tempo todo.

Na oração e no discernimento diante do Santíssimo Sacramento, senti uma paz profunda, como se o próprio Deus me sussurrasse: “Não temas. Estou contigo”. Não era apenas uma voz: era uma certeza no coração. Essa paz me deu coragem para dar o primeiro passo. Segui o seu chamado, embora tenha sido difícil deixar o trabalho, a família e até mesmo um novo relacionamento. Aos 32 anos, já como jovem profissional, juntei-me aos Missionários Claretianos.

A vida na comunidade formativa não foi fácil. Sentia saudades da minha família e, às vezes, me perguntava se tinha tomado a decisão certa. Mas, à medida que crescia na vida comunitária, nos estudos e, acima de tudo, na oração, fui descobrindo uma liberdade mais profunda. Pouco a pouco, Deus foi moldando meu coração, ensinando-me humildade, confiança e perseverança. E, através de tudo isso, senti o amor de minha Mãe Maria, que não me abandonou nos momentos difíceis. Hoje posso me chamar verdadeiramente filho do Imaculado Coração de Maria.

Agora continuo este caminho de formação. Como claretiano recém-professo, fiz os votos de castidade, pobreza e obediência, comprometendo-me a não recuar. Há dificuldades todos os dias, mas também uma imensa alegria em servir a Deus e ao seu povo. Sou testemunha de como Deus usa até mesmo minhas fraquezas para sua glória, seja no ensino, no apostolado paroquial, na vida comunitária ou na defesa da minha fé católica.

Olhando para trás, percebo que a vocação não tem a ver com perfeição, mas com disponibilidade. Deus nos chama de maneira comum, através da família, da oração, das circunstâncias e do serviço e espera pacientemente pelo nosso “sim”. Minha história ainda está sendo escrita, mas sei que, onde quer que Ele me leve, minha vida Lhe pertence. Rezo para que outros, especialmente os jovens e os jovens profissionais, também estejam abertos a ouvir e a confiar no chamado de Deus para suas vidas. Estou convencido de que o amor de Deus nunca acaba, apesar de nossa pecaminosidade; pelo contrário, Ele sussurra em nossos corações: “Não temam. Eu estou com vocês. Vocês são meus”.

Quezon City (Filipinas)

Agosto de 2025.

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