Claretianos participam de conferência global histórica sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis

Mai 2, 2026 | Presença na ONU, Solidariedade e Missão

Santa Marta, Colômbia. A Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (TAFF1), realizada de 24 a 29 de abril de 2026 em Santa Marta, Colômbia, marcou um ponto de virada histórico na ação climática global. Organizada pelos governos da Colômbia e dos Países Baixos, a conferência reuniu representantes de mais de 50 países, juntamente com cientistas, líderes indígenas, sociedade civil e comunidades religiosas, para mudar decisivamente o foco do debate global, da questão de se devemos ou não eliminar os combustíveis fósseis para a questão de como fazê-lo de forma justa, rápida e com financiamento adequado.

A TAFF1 surgiu em resposta ao progresso limitado na eliminação gradual dos combustíveis fósseis em negociações globais anteriores, particularmente na COP30. Em Santa Marta, no entanto, a conferência promoveu um processo internacional estruturado e cooperativo com o objetivo de acelerar a transição para longe do carvão, petróleo e gás, abordando simultaneamente barreiras estruturais como a dependência fiscal das receitas dos combustíveis fósseis, o endividamento público e os regimes de subsídios.

Um dos pontos fortes da conferência foi seu processo inclusivo e participativo. Meses de trabalho preparatório — incluindo submissões escritas, diálogos globais e consultas regionais — culminaram em discussões lideradas pelas partes interessadas em Santa Marta. Nesse processo, os Missionários Claretianos, por meio da Proclade International, fizeram contribuições substanciais com base em consultas realizadas em diversos setores da congregação. Três soluções-chave foram apresentadas, alinhadas aos pilares temáticos da conferência: diversificação econômica justa em regiões dependentes de combustíveis fósseis, expansão acelerada de energias renováveis com planos claros de eliminação gradual e uma estrutura de cooperação global para uma transição justa.

O envolvimento da Proclade foi ainda orientado por um extenso conjunto de “pontos de discussão” que enquadravam a crise dos combustíveis fósseis como uma emergência moral e espiritual — um pecado contra a criação e contra os pobres — enraizada num modelo de desenvolvimento extrativista. Essas reflexões apelavam a uma conversão ecológica inspirada na Laudato Si‘ e na Laudate Deum.

A conferência desenrolou-se através de uma progressão dinâmica de diálogos. Discussões lideradas pelas partes interessadas foram seguidas por uma Assembleia Popular e uma Cúpula Popular, onde povos indígenas, trabalhadores, jovens e comunidades religiosas articularam demandas comuns por uma transição justa. Essas vozes foram levadas ao diálogo direto com ministros e líderes globais durante o Segmento de Alto Nível realizado nos dias 28 e 29 de abril, reforçando a responsabilidade e a transparência na definição do roteiro da transição.

A Igreja Católica esteve visivelmente representada na conferência por três bispos: Dom José Domingo Ulloa, Arcebispo Metropolitano do Panamá e Vice-Presidente do CELAM; Dom Juan Carlos Barreto, Bispo de Soacha e Presidente da Cáritas Colômbia; e Dom José Mario Bacci, Bispo de Santa Marta. A presença deles ressaltou o crescente compromisso da Igreja com a justiça climática e sua voz moral nos debates ecológicos globais.

A mobilização da sociedade civil manteve-se forte ao longo da semana. Marchas, assembleias e encontros temáticos criaram um espaço vibrante de defesa e solidariedade. A participação de organizações religiosas, particularmente do Sul Global, destacou que a crise climática não é meramente técnica, mas profundamente moral e espiritual, exigindo tanto conversão pessoal quanto transformação estrutural.

Uma coletiva de imprensa conjunta organizada por redes da Igreja apelou à suspensão imediata de novas explorações de combustíveis fósseis, à eliminação gradual e justa da produção existente e ao aumento do financiamento climático, incluindo a troca de dívida por créditos de carbono. As propostas incluíram ainda a criação de observatórios éticos e de um comité inter-religioso para monitorizar os compromissos, juntamente com um apelo renovado a uma “década eclesial de ação pela justiça climática”.

A Proclade International participou ativamente desses processos. A delegação claretiana — composta por Rohan Dominic (Proclade International), Diego Gómez Jurado (Proclade ColVen) e Rafael Villalobos (SOMI América Central, representando a REMAM) — esteve presente em eventos importantes, como o Encontro de Espiritualidades para uma Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, diálogos com movimentos sociais, a Cúpula dos Povos e o Dia de Ação Católica. Eles também se uniram à Marcha dos Povos em 27 de abril, demonstrando solidariedade às comunidades que defendem a terra, a água e a vida.

Os resultados da TAFF1 sinalizam o surgimento de uma nova forma de cooperação climática “plurilateral” – uma coalizão aberta de países e partes interessadas dispostos a promover a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, para além das limitações das negociações formais. O processo continuará com uma segunda conferência em Tuvalu, com ligações a futuros marcos globais, incluindo a COP31 e o próximo Balanço Global.

Com o impulso gerado por Santa Marta, a mensagem é clara: a transição para longe dos combustíveis fósseis deixou de ser uma aspiração distante e tornou-se uma realidade global em curso. O desafio agora é garantir que essa transição permaneça justa, inclusiva e alicerçada no cuidado com a nossa casa comum – uma agenda com a qual os Claretianos, por meio da Proclade International, permanecem firmemente comprometidos.

Fonte: Dominic Rohan, CMF, Claretianos na ONU

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